Se você acompanhou as notícias sobre sustentabilidade corporativa nos últimos dois anos, provavelmente viu a expectativa crescendo: o Brasil seria o primeiro país do mundo a exigir legalmente que empresas de capital aberto publicassem relatórios financeiros de sustentabilidade de acordo com as normas internacionais do ISSB. Essa exigência, estabelecida pela Resolução 193/2023 da Comissão de Valoração Agregada (CVM) para entrar em vigor nos exercícios fiscais a partir de 2026, foi revogada em maio de 2026 pela Resolução 244 da CVM. Na prática, isso fez com que o mercado brasileiro retornasse a um modelo de “cumprir ou explicar”: uma empresa pode optar por não publicar, mas deve comunicar formalmente essa decisão. Isso muda a pergunta que toda empresa deve se fazer agora — não é mais “somos obrigados a relatar?”, mas sim “vale a pena relatar mesmo sem a exigência?”. E é aqui que as Normas GRI entram na discussão.
É importante não confundir as duas estruturas que estavam — e ainda estão — em vigor. O requisito que a CVM revogou dizia respeito especificamente às normas do International Sustainability Standards Board (ISSB) (IFRS S1 e S2), internalizadas no Brasil pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade como CBPS 01 e CBPS 02. Essas normas têm um foco financeiro: avaliam como os riscos climáticos e de sustentabilidade impactam o valor e o desempenho financeiro da empresa, da perspectiva do investidor. As normas GRI, mantidas pela Global Reporting Initiative, seguem uma lógica diferente e complementar: mensuram o impacto da empresa na sociedade e no meio ambiente, da perspectiva de múltiplas partes interessadas — comunidades, funcionários, fornecedores, governo, e não apenas acionistas.
Essa diferença explica por que a decisão da CVM não torna as Normas GRI irrelevantes. Muitas empresas brasileiras já publicavam relatórios GRI voluntariamente, muito antes de qualquer discussão sobre os requisitos do ISSB — e continuarão a fazê-lo, porque investidores institucionais, grandes clientes corporativos e processos de licitação frequentemente solicitam esse tipo de evidência, independentemente do que a CVM exija de empresas de capital aberto. Empresas privadas, fornecedores em grandes cadeias produtivas e organizações que buscam financiamento de bancos de desenvolvimento continuam a ter fortes incentivos comerciais para relatar segundo essa norma, com ou sem lei.
Existe até um argumento estratégico específico para a divulgação voluntária de informações neste momento, justamente quando a exigência foi revogada: as empresas que optam por manter a publicação consistente de seus relatórios se diferenciam justamente pela ausência de obrigação. Em um cenário de "cumprir ou explicar", o mercado se torna mais capaz de distinguir quem divulga informações por convicção da administração e quem só o faria sob pressão regulatória — e essa distinção tende a influenciar decisões de crédito, parcerias e a reputação da marca.
Na prática, um relatório de sustentabilidade estruturado segundo as normas GRI exige dados organizados nos três pilares ESG, com indicadores padronizados que permitam a comparação entre empresas e ao longo do tempo — o que só é sustentável com um sistema de gestão ESG por trás, e não com compilações manuais feitas uma vez por ano sob pressão de prazos. Essa é exatamente a função de uma plataforma de gestão ESG: transformar a produção de relatórios de um evento anual estressante em um processo contínuo de organização de evidências.
Vale ressaltar que essa flexibilização da regulamentação da MVC não é o fim da história — trata-se de um tema em constante evolução, sujeito a novas mudanças, visto que o Brasil continua acompanhando a tendência internacional em torno dos padrões do ISSB. Empresas que optarem por interromper o acompanhamento do tema devido à suspensão da exigência correm o risco de serem surpreendidas por uma futura alteração regulatória e, enquanto isso, perdem a oportunidade de se posicionarem como uma referência voluntária em transparência.
A plataforma ESG da GETS CARBON organiza as evidências necessárias para estruturar relatórios de sustentabilidade consistentes, com ou sem exigência legal. Converse com um especialista da GETS CARBON e avalie como transformar a transparência voluntária em vantagem competitiva.



